sábado, 25 de janeiro de 2020

MUITO ALÉM DE UMA PIRRALHA


Luiz Henrique Lima[1]

Enganam-se aqueles que pensam poder desqualificar a ativista sueca Greta Thumberg

Luiz Henrique Lima
Enganam-se aqueles que pensam poder sufocar o debate sobre o agravamento da crise climática simplesmente agredindo ou tentando desqualificar a sua mais conhecida porta-voz, a ativista sueca Greta Thumberg. Foi o que tentou fazer o poderoso Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, durante pronunciamento no Fórum Econômico Mundial em Davos. Não deu certo.
Sua fala foi rechaçada não apenas pela opinião pública mundial, mas também pelas principais lideranças políticas e empresariais presentes ao encontro, a começar pela respeitada chanceler Angela Merkel que, mesmo representando um pensamento conservador, reconheceu a gravidade e a urgência do tema das mudanças climáticas e a importância do movimento de conscientização e protesto que mobiliza milhões de jovens em todos os continentes.
 Para usar um termo desgastado, mas que no caso se aplica perfeitamente, o movimento Fridays for Future viralizou. A cada semana, ocorrem centenas de manifestações em dezenas de países. Algumas reúnem um punhado de estudantes, outras envolvem milhares de pessoas de todas as gerações. Embora Greta tenha sido a pioneira em 2018, nada teria essa duração e essa dimensão se o problema não fosse real e se as suas prováveis consequências não representassem uma grave ameaça global para as próximas gerações.
Toda a comunidade científica internacional utiliza como referência para esse debate os relatórios elaborados pelo IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organização criada em 1988 por iniciativa da Organização Meteorológica Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

“Enganam-se aqueles que pensam poder sufocar o debate sobre o agravamento da crise climática simplesmente agredindo ou tentando desqualificar a sua mais conhecida porta-voz, a ativista sueca Greta Thumberg”

Cada relatório do IPCC demanda anos de trabalhos e discussões envolvendo centenas de cientistas das mais variadas especialidades (oceanógrafos, geógrafos, geólogos, físicos, epidemiologistas, biólogos, economistas etc.) e antes de ser divulgado é submetido a rigorosas avaliações independentes.
É com base nos diversos cenários apresentados pelo IPCC que se construíram os acordos internacionais, com destaque para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, assinada no Rio de Janeiro em 1992, o Protocolo de Quioto de 1997 e o Acordo de Paris de 2016.
Diversos países elaboraram seus próprios estudos e levantamentos sobre os efeitos das mudanças climáticas. Um dos principais foi o Relatório Stern, coordenado pelo economista-chefe do Banco Mundial por solicitação do governo britânico. Nele ficou demonstrado que o custo de não enfrentar as mudanças climáticas é várias vezes superior ao custo de medidas de prevenção e mitigação.
No Brasil, trabalho conduzido por pesquisadores da USP, Unicamp, UFRJ, Embrapa e Fiocruz concluiu que o país poderá perder até 2050 cerca de R$ 3,6 trilhões em razão dos impactos provocados pelas mudanças climáticas. Um conjunto de auditorias operacionais do TCU apontou riscos muito graves não apenas para a Amazônia, mas para o agronegócio, o Semiárido e as zonas costeiras.
Em suma, goste-se ou não da imagem e das falas da jovem Greta, que uma irritada autoridade denominou pirralha, o fato é que a causa que ela abraçou diz respeito a um problema real e de máxima importância para todos. Não é à toa que essa foi uma das principais, senão a maior, pauta do Fórum Econômico Mundial de 2020.
Ainda esta semana a maior gestora de fundos de investimentos do planeta, a BlackRock, responsável por uma carteira de 7 trilhões de dólares, anunciou em carta ao mercado que a sustentabilidade será o centro de sua estratégia de investimentos. Centenas de líderes empresariais estão assumindo compromissos neste sentido.
A economia mundial está mudando, não por bondade ou boa vontade, mas por necessidade. Há nisso enormes oportunidades para países e regiões com fartura de biodiversidade, recursos hídricos e florestais, e potencial de geração de energia solar e eólica.
Enquanto isso, a maior autoridade brasileira presente em Davos notabilizou-se pela bizarra afirmação de que a destruição ambiental é provocada pelos pobres...


[1] Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT - Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.
Fonte: https://www.midianews.com.br/opiniao/muito-alem-de-uma-pirralha/368580


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COMBATER O RACISMO


Luiz Henrique Lima[1]


Luiz Henrique Lima
O racismo existe na sociedade brasileira. Está profundamente enraizado na nossa cultura. O racismo brasileiro é particularmente longevo porque é habilmente dissimulado sob o discurso hipócrita de que somos uma nação sem preconceitos. O racismo brasileiro se manifesta todos os dias, de múltiplas formas, do sul ao norte, do oeste ao leste. O racismo brasileiro é brutal e cruel, principalmente com as crianças e jovens negros, que desde a infância sofrem violências e abusos, verbais, psicológicos e físicos. O racismo brasileiro precisa ser combatido todos os dias, mas jamais será vencido enquanto não for reconhecido.
Por ocasião da celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, li, ouvi e assisti um sem número de comentários e opiniões dizendo que esse dia não deveria existir, por essa ou aquela razão. Discordo.
É necessário sim que haja pelo menos uma data dedicada à reflexão sobre a situação do povo negro em nosso país. Porque nunca seremos uma nação plenamente democrática, civilizada e justa enquanto o racismo não for extirpado e enquanto as manifestações racistas não forem denunciadas com vigor e repelidas com nojo.
Fomos a última nação americana a abolir a escravidão, não por concessão da monarquia e do conservadorismo, mas graças à heroica luta de abolicionistas como Luiz Gama, José do Patrocínio, André Rebouças, Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, Rui Barbosa e o bravo cearense Francisco José do Nascimento, o "Dragão do Mar", que se recusava a transportar escravos em sua jangada.
Todavia, a abolição da escravidão não aboliu o preconceito e a discriminação racial, que são tão profundos na nossa cultura ao ponto de que não é incomum presenciar babás negras de crianças brancas discriminarem crianças negras que brincam no mesmo ambiente ou policiais negros abordarem preferencialmente como suspeitos os adolescentes e jovens negros, desconsiderando os brancos quando em situações semelhantes.
As atitudes racistas ocorrem a cada momento e muitos fingem não ver ou "levam na brincadeira". Racistas são covardes, violentos e traiçoeiros.
Quem tem filhos, afilhados ou amigos próximos de origem negra sabe muito bem que a discriminação começa praticamente no berço. Já na primeira infância se multiplicam as "brincadeiras" em classe ou nos parquinhos acerca do "cabelo ruim" das crianças negras.
O crescimento não alivia a violência. Como se sabe, os adolescentes e jovens negros são o alvo preferencial das "balas perdidas" de nossa insegurança urbana e têm três vezes maior probabilidade de serem vítimas de homicídios.
Os negros sobreviventes, os que conseguem concluir o ensino superior e até a pós-graduação, esses vão ser discriminados no mercado de trabalho. Entre os negros, o desemprego é maior; entre os empregados, os negros ganham menos e ocupam uma fração ínfima de posições de liderança. E aqueles que as alcançam, quando não são celebridades nacionais, sofrem episódios de discriminação ao tentar se registrar em um hotel ou embarcar em um cruzeiro marítimo, confundidos com seguranças, motoristas ou domésticas de algum patrão branco.
Portanto, é grave hipocrisia negar a presença e a força do racismo na sociedade brasileira. Não se pode derrotar aquilo que não se conhece ou que não é visto como um inimigo crucial de um projeto de nação tão bem delineado no preâmbulo da nossa Constituição da República: "instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social..." E, ainda, no art. 3º: constitui objetivo fundamental da República brasileira, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Isso não ocorrerá enquanto não vencermos o racismo e para isso precisamos reconhecê-lo e combatê-lo todos os dias.

[1] Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT - Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia. Fonte: https://www.tce.mt.gov.br/artigo/show/id/390/autor/6

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ÓDIO A GRETA


Luiz Henrique Lima[1]

Luiz Henrique Lima
Um dos espetáculos mais deprimentes dos últimos meses é o vendaval de calúnias, impropérios e mentiras que se abateu sobre uma frágil adolescente sueca, Greta Thunberg. É patético ouvir mulheres, muitas vezes oprimidas e discriminadas em seus ambientes profissionais e familiares, reproduzindo maledicências de extremo conteúdo misógino. É nauseante presenciar setentões zangados, que jamais moveram um dedo por uma causa de interesse coletivo, postando zombarias quanto ao fato da jovem ser portadora da Síndrome de Asperger. Visão, uma revista portuguesa (www.visao.sapo.pt), fez uma extensa matéria sobre as "mentiras mais loucas" que são propagadas contra essa garota. Até o vídeo de alguém atirando com uma metralhadora foi divulgado como se fosse ela, além de calúnias sobre seus pais.
Por que tudo isso?
Greta incomoda e muito porque com a sua iniciativa solitária alguns meses atrás de postar-se com um cartaz de protesto defronte ao Parlamento sueco deflagrou um movimento de milhões de jovens em dezenas de países.
Greta irrita e muito porque a crueza e objetividade de suas palavras denuncia, por contraste, a hipocrisia de discursos empolados que disfarçam a inércia e o conformismo.
Greta exaspera e muito porque o seu ativismo põe a nu a inação de tantos que tinham a obrigação ética e profissional de agirem.
Greta desconforta e muito porque a sua coragem contrasta com a covardia de tantos líderes políticos e empresariais.
Os reacionários e ressentidos criticam Greta de todas as formas e por quaisquer motivos. E quando faltam motivos, inventam-nos, temperando-os com inveja, raiva e brutalidade.
Exigem que Greta, com seus dezesseis anos, apresente a maturidade e o equilíbrio que não cobram de Trump e assemelhados.
Reclamam que Greta, estudante secundarista, não conclua suas críticas com "soluções técnica e economicamente viáveis", que nem os próprios governos e conglomerados empresariais conseguem formular e/ou muito menos implementar.
Denunciam que Greta é repetitiva e monotemática, ao cuidar apenas da questão das mudanças climáticas, sem perceber que isso é, ao mesmo tempo, uma virtude e uma necessidade. Virtude, porque ela não tem a pretensão de abraçar todas as causas, mas se concentrar naquela que julga a mais importante ou na qual sua participação pode ser mais efetiva. Necessidade, porque enquanto uma crise não é resolvida - e ao contrário se agrava – tanto mais crucial que o problema seja debatido.
Quanto a mim, não tenho ódio nem raiva a Greta Thunberg. Tenho admiração pela sua coragem e desprendimento. Tenho respeito pela sua sinceridade e também, reconheço, tenho um pouco de inveja de sua juventude e vitalidade. E tenho muita compaixão da miséria moral, intelectual e emocional dos seus detratores.
Vá em frente, Greta! Torço por ti e pela tua geração de jovens, que é a dos meus filhos, que se dedicam a lutar pela vida. Como cantava Gonzaguinha, "eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão (...) eu vou à luta com essa juventude que não corre da raia à troco de nada".
PS: Esse artigo já estava pronto quando uma autoridade de nosso país depreciativamente qualificou Greta como "pirralha", o que me fez lembrar Tom Jobim: "se todos (os pirralhos) fossem no mundo iguais a você, que maravilha viver ...".


[1] Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT - Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental,  Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia. Fonte: https://www.tce.mt.gov.br/artigo/show/id/393/autor/

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quinta-feira, 31 de maio de 2018

POR QUE NÃO A INTERVENÇÃO!!!


José Wilson Tavares¹

Antes de sua Critica ao meu tema! Leia o meu pensamento, do qual não é obrigado a seguir!

Existem alguns movimentos, e bem como uma Massa de Cidadãos brasileiros, claramente irresponsáveis e desconhecedores de fatos, do que isto significaria para a nação, e dentre estes muitos que por pura manipulação de grupos, e outros que são informados e conhecedores e dominadores de saberes acadêmicos, porém não prestaram a atenção ao que estão incentivando e bem como aos gritos e até criando Áudios e Vídeos, um tanto fajutos e bem como totalmente manipulados e faltando com a verdade, quanto às consequências de uma Intervenção Militar nos poderes constituídos em Brasília!
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

É seguramente sem base constitucional que poderia haver uma INTERVENÇÃO, uma vez que isto significaria o Rompimento da Ordem democrática e bem como um rompimento da HARMONIA, que função das Forças Armadas estar comprometidas com esta harmonia social e pacifica na proteção dos poderes constituídos!  Caso houvesse tal ATO isto significaria um GOLPE MILITAR!!! E como todo Golpe é danoso para a sociedade, e quando militar é uma ruptura Constitucional!
Outra! Temos instituições sólidas, embora com defeitos e problemas que nós os cidadãos através do Voto e da escola soberana do ATO de VOTAR  consciência e imparcialmente, conduzir os rumos de nosso País para uma correção sim e necessária dos problemas que afetam estas instituições e que as levam a não cumprirem o seu papel de  servir a  SOCIEDADE!
Dentro desta sociedade as Forças Armadas: Exército, Marinha e Aeronáutica são formados por cidadãos Brasileiros e a Eles o dever Constitucional e os seus membros como cidadãos ser fonte de orientações e apoio ao pleito de cada cidadão no cumprimento de seus direitos, votando conscientes!
Circulou este vídeo nas redes sociais, onde violentamente uma força militar agride manifestantes no Estado de Rondônia! Nada do que podemos ver neste vídeo justifica e nem conta com Amparo Legal para que qualquer força militar possa agir com Agressão contra os seus pares Cidadãos! Não sei da veracidade destes fatos, porém é danoso para uma sociedade quanto qualquer de seus segmentos passa a agir desta maneira! Assim, é agir Antidemocraticamente!!
Agora numa alusão aos que fugiram das Aulas de Historia, colaram nas provas e/ou usaram outros subterfúgios para lograrem êxito sem estudar, fica o meu apelo, vá ler compreender ou buscar  ajuda de uma profissional da área sem paixões politicas ideológicas, e compreender o que é viver sob uma DITADURA MILITAR!! Existem varias em diversas partes do Planeta Terra, e nem uma delas tem sido benéfica a Nação!!!
Às Forças Armadas e demais Cooperações militares o meu Respeito e Admiração, pela sua conduta e cumprimento do dever!!

Acesse nosso portal: www.bonsucessomt.com.br
¹Bacharel e Licenciado em Historia pela Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT
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